16h30 às 17h30

— convidado: Ignácio de Loyola Brandão – mediação: Manuel da Costa Pinto

Com a proposta de investigar o porquê das coisas fora do âmbito das respostas convencionais, a revista Planeta foi lançada no Brasil nos anos 1970. Criada por Ignácio de Loyola Brandão e Luis Carta como uma versão brasileira da revista Planète, fundada em 1963 pelos franceses Louis Pauwels e Jacques Bergier, autores do clássico “O Despertar dos Mágicos“.

A revista Planeta foi o porta-voz de um movimento de renovação intelectual chamado Realismo Fantástico. Ela tinha como meta investigar o mundo sem os “preconceitos” ditados pelo “cientificismo” e o “intelectualismo” da era moderna. Para eles, o fantástico é uma manifestação das leis naturais, um resultado do contato com a realidade quando esta nos chega diretamente, e não filtrada pelo véu do sono intelectual, pelos hábitos, os preconceitos, os conformismos.

No artigo “D’une Renaissance à l’autre” Pauwels relaciona o Realismo Fantástico às “descobertas” do século XVI: “A ênfase recai na ideia de um contexto com novos questionamentos, cujas respostas ou, pelo menos, caminhos para a sua obtenção não se encontram na ciência e artes vigentes. Torna-se necessário inaugurar um novo modo de perceber o mundo”.

No Brasil, Planeta se tornou em importante veículo de novas ideias em um país assolado pela ditadura militar, em um período de intensa censura. Através da valorização de temas tidos como marginais, o periódico oferecia a possibilidade uma nova visão do individuo e da sociedade que tinha como fonte saberes advindos de diferentes culturas e épocas. Os objetivos de Planeta correspondiam aos primeiros anseios de Planète, ao menos em seus anos iniciais de vida: aliar arte e ciência, investigar assuntos marginalizados em busca de seus significados, através da observação e de uma pesquisa “sem preconceito”.

Por contrato, a revista brasileira deveria usar o material fornecido pela Planeté. Porém, muitos artigos eram de autoria de brasileiros, produzidos por uma equipe composta especialmente para esse fim. A Planeta tratava de temas evitados pela imprensa por serem considerados tabus. Loyola Brandão, o primeiro diretor de Planeta, diz que a revista era algo completamente fora da caixinha, que mexeu com as cabeças ao falar do poder da mente, civilizações desaparecidas, universos paralelos, mistério do além, mundos primitivos. Foi o primeiro meio de comunicação de massa a falar de temas como extraterrestres, parapsicologia, reencarnação etc. Era uma publicação que não tinha fórmula e enquadramentos, tinha um sentido libertário, era um movimento de crítica ao sistema estabelecido.

Sobre os convidados:

ignacio

Ignácio de Loyola Brandão é considerado um dos maiores nomes da literatura contemporânea. Escreveu mais de 40 livros, em quase todos os gêneros literários. Sua produção literária rendeu-lhe vários prêmios, como o Jabuti. Membro da Academia Paulista de Letras é coordenador dos debates das Jornadas Literárias de Passo Fundo desde 1988. Foi redator-chefe das revistas Cláudia, Realidade, Planeta, Ciência, Vogue, entre outros periódicos. Escreveu roteiros para filmes e teve livros adaptados para teatro e balé.

Manuel-da-costa-pinto

Manuel da Costa Pinto é jornalista e crítico literário. Mestre em teoria literária pela USP foi um dos criadores da revista “Cult”, editor-assistente da Edusp, editor-executivo do Jornal da USP, redator do caderno “Mais!” e colunista da Folha de S.Paulo. Foi curador da FLIP 2011. É editor dos programas de literatura “Entrelinhas” e “Letra Livre”, da TV Cultura, e editor do “Guia da Folha – Livros, Discos, Filmes”.