14h30 às 15h30

— convidado: Jorge Schwartz – mediação: Andrea Del Fuego

Em Murilo Rubião, o fantástico está no cotidiano. Ausência de rupturas bruscas na seqüência narrativa ou de efeito de suspense no leitor. Acontecimentos referencialmente antagônicos e inconciliáveis conciliam-se tranqüilamente pela organização da linguagem. Dragões, coelhos e cangurus falam, mas não há mais o clássico “enigma” a ser desvendado no final. Conhecer Murilo é penetrar no mundo do fantástico. Penetrar no mundo do fantástico é ler a escritura muriliana.

O Realismo Mágico é uma característica própria da literatura latino-americana da segunda metade do século XX que funde a realidade narrativa com elementos fantásticos e fabulosos. Floresceu nos anos 1960 e 1970, enraizado nas discrepâncias surgidas entre cultura da tecnologia e cultura da superstição, e em um momento em que o auge das ditaduras políticas converteu a palavra numa ferramenta infinitamente apreciada e manipulável. Murilo Rubião é o maior exemplo de Realismo Mágico no Brasil.

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Jorge Schwartz é graduado em estudos latino-americanos e inglês pela Universidade Hebraica de Jerusalém, obteve mestrado e doutorado em teoria literária e literatura comparada na USP, onde é professor titular de literatura hispano-americana. É pesquisador sênior do CNPQ, autor de numerosos livros e artigos de crítica de artes visuais e literatura e curador de diversas exposições. Coordenou a edição das obras completas de Jorge Luis Borges em português. Dirige o Museu Lasar Segall (Ibram/MinC) desde 2008.

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Andrea Del Fuego é escritora e jornalista. Autora de diversos contos publicados, além de vários livros juvenis e infantis. Seu primeiro romance, Os Malaquias, que conta a história de três irmãos que ficam órfãos quando seus pais são atingidos por um raio, foi ganhador do Prêmio Saramago de Literatura. Publicou este ano, pela Cia das Letras, o romance As miniaturas, vencedor da bolsa Petrobras.